domingo, 14 de dezembro de 2008

Elton John para brasileiro ouvir!

Eu gosto de coletâneas. E admito mesmo, gosto sim! Acho que não há melhor maneira de conhecer a obra de um artista, principalmente se ele é veterano. Você primeiro saca os hits e depois se aprofunda nos terrenos que gostar mais, e aí é que parte pros discos de carreira.

Mas comigo, no caso de Elton John, a coisa foi um pouco inversa. Eu já conhecia um punhado de músicas dele dos meus anos de infância, coisas como "Nikita" e "Sacrifice". Mas só mais velho tive real acesso ao trabalho desse cara absurdamente talentoso. Primeiro com os álbuns "Elton John" (1970) e "Goodbye Yellow Brick Road" (1973), em seguida com "Honkey Chateau" (1972), "Don't Shoot Me, I'm Only The Piano Player" (1972) e outros.

De qualquer forma, acho que Elton atravessou os anos 1970 com muita dignidade. O cara, junto com seu parceiro Bernie Taupin, lançou músicas que são verdadeiros ícones da música pop, daquelas que fazem parte do inconsciente coletivo. Já a partir da década de 80, como muitos colegas que vieram com ele, Elton deu suas escorregadas e muita gente já achava que o pianista tinha "perdido a mão", embora vez por outra emplacasse um single aqui e ali. Em 2001 o homem recuperou a energia soltou duas pérolas: "I Want Love" e "This Train Don't Stop There Anymore", que sem medo de errar eu mando pro páreo das melhores de EJ.


Pensando assim, notei que eu ainda não tinha uma compilação de toda a carreira de Elton, e gostava de muita coisa isolada de discos que eu não possuo, ou até faixas de singles. Fui atrás e achei essa que é a mais recente, "Rocket Man: The Definitive Hits". O CD saiu em 2007 em celebração aos seus 60 anos e adota um conceito estabelecido pelos Beatles em 2000: os maiores sucessos do artista compilados em apenas "1" disco, a coletânea de luxo. Fui pesquisar e vi que o CD tem nada menos que 17 versões diferentes lançadas, com tracklists elaborados a dedo no objetivo de agradar cada país em que saiu. Por isso a inclusão de "Skyline Pigeon" (1972) na edição nacional. Essa faixa foi um sucesso tão grande por aqui que rendeu regravações diversas, muitas naqueles discos genéricos de super hits. Lá fora era mais conhecida por outra (e inferior) gravação presente no álbum "Empty Sky" (1969).

Bem, só por essa faixa já valeria ter o CD. Mas o que me impressionou mesmo foi a qualidade sonora de todo o álbum. Mesmo as faixas mais antigas, como "Your Song" (1970), têm uma clareza emocionante de detalhes, num trabalho de remasterização perfeito. Não posso afirmar se seria o mesmo trabalho que os discos de EJ receberam uns anos atrás, quando saíram na série "The Classic Years". Mas seja o que for está ótimo, chega a ser gostoso de se ouvir.

As faixas selecionadas para o exemplar brazuca serviram muito bem meu objetivo de ter canções não contidas nos álbuns de carreira que, diga-se, são muitos. "Philadelphia Freedom" (1975), uma das prediletas da casa, foi escolha muito acertada logo após "Bennie And The Jets" (1973), faixa do já citado "Goodbye Yellow Brick Road" que traz mais outras duas pra compilação: a faixa título e "Candle In the Wind". Após as obrigatórias "Daniel" (1973) e "Rocket Man (I Think It's Going To Be A Long Long Time)" (1972), outras duas faixas vêm em grau elevado de importância pra mim - "I Guess That's Why They Call It The Blues" (1983), que ainda tem o bônus de trazer Stevie Wonder tocando gaita, e "Tiny Dancer", (des)conhecida desde 1971 no álbum "Madman Across The Water". Essa é outra que está no rol das mais belas da dupla John/Taupin e, mesmo tendo feito relativo barulho na época, só estourou mundialmente por causa do filme "Quase Famosos", do diretor Cameron Crowe, quase trinta anos depois.

Um descuido por parte desta seleção brasileira de hits é a ausência de "Nikita" (1985), faixa de "Ice On Fire", um álbum sem maiores destaques. Embora longe de ser unanimidade até entre os admiradores do artista, a música emplacou de forma assombrosa no Brasil e até hoje é tiro certo nas rádios "adult contemporary". Outra que imperdoavelmente ficou de fora foi "You Gotta Love Someone", sucesso absoluto por aqui em 1990, ao lado de "Empty Garden" (1982), ode ao então recém falecido amigo John Lennon. O Beatle também tem a ver com mais dois mega hits de Elton em nosso país: "One Day At A Time", de 1974, e a versão ao vivo para "Lucy In The Sky With Diamonds", todas ausentes. Além disso, o CD tem outras derrapadas. A versão ao vivo de "Don't Go Breaking My Heart", gravada em 2000, embora conte com a participação de Kiki Dee, está anos-luz aquém do original de 1976. E "Tinderbox", presente em quase todas as versões estrangeiras do disco, é uma música até simpática mas que só está na lista pra puxar o recente "The Captain And The Kid", de 2006.

Voltando ao que interessa, "Don't Let The Sun Go Down On Me" felizmente está em seu registro original de 1974, porque a obviedade seria incluir a versão ao vivo de 1991 em dueto com George Micheal, essa sim um mega hit nas rádios brasileiras. Gol involuntário. "I Want Love" (2001) marcou tanto o retorno de EJ à boa forma que foi tocada até naquele Jubileu Da Rainha, um show insosso que ainda circula em DVD por aí. Outra obrigatória. "Crocodile Rock"(1972) é mais uma certa na seleção brasileira, pois tocou demais por aqui, assim como o baladão "Sacrifice" (1989). Datada pelo excesso de sintetizador e bateria eletrônica que escondem uma melodia belíssima e letra reflexiva, também marcou muito pelo video que emplacou com a chegada da MTV Brasil. Me lembro desse clip em uma aula de inglês no colégio...putz. Encerrando o disco (18 faixas - um número bom), "Sad Songs (Say So Much)", que foi single de "Breaking Hearts" (1984). Levadinha pop que ainda conta com boa execução.

Ao todo, esse "Rocket Man - The Definitve Hits" foi a escolha certa, pois o disquinho mata dois coelhos. Juntar músicas essenciais de Elton com sucessos radiofônicos, incluindo pelo menos uma raridade (Skyline Pigeon), e tudo numa qualidade de som filha da puta. Pra quem quer se iniciar na obra de Elton é um disco perfeito. Circula também em edição com DVD bônus, que traz um show recente e uns clips extras. Abaixo, "Sorry Seems To Be The Hardest Word", em performance ao vivo no Top Of The Pops, em 1976. Uma das canções mais tristes de Elton John, e mais um gol desta seleção de sucessos.


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Suzi Quatro para leigos.



Como falei recentemente sobre a série de reprises do Top Of The Pops, acabei indo atrás de outras séries de DVDs caseiros com compilações de programas musicais gringos dos anos 70, como Rockpalast, The Midnight Special, Musikladen e Disco. Nisso, acabei encontrando um volume inteiro de apresentações no Scene, que me parece ser um programa alemão. O nome do programa era adaptado ano a ano, sendo assim temos aqui "Scene 77", "Scene 78", "Scene 79" e por aí vai.


O repertório, claro, traz sempre um punhado de coisas que nunca sequer tocaram no Brasil, já que é formado pelos hits das paradas locais, o que é uma ótima fonte pra conhecer músicas "novas". Mas o creme mesmo é a enxurrada de hits e artistas de primeira grandeza que sempre estão presentes. Desta vez fui presenteado com Kate Bush, Dire Straits, The Police, The Knack, The Jam, Scorpions, Hot Chocolate e Sweet.

Como se não bastasse, uma pérola escondida lá no final do DVD é o video de Suzi Quatro tocando seu clássico "If You Can´t Give Me Love" (dublando, pois na Europa, ao contrário dos EUA, o que reinava na TV era o playback mesmo). Comprei esse compacto recentemente pra, quem sabe, rolar em futuras festinhas, já que essa faixa foi um sucesso do cacete no Brasil em 1979.


Suzi deveria ser redescoberta pelo público brasileiro, não só por esta música que, aliás, nem estourou aqui com ela, mas com a versão escrita por Rossini Pinto e gravada pelos Fevers no disco "The Fevers Disco Club", montado especificamente para animar as festinhas de embalo da época. A versão, batizada de "Se Você Me Quiser", fez tanto sucesso que até hoje é obrigatória nos shows da banda e ainda pode eventualmente ser ouvida nas rádios.

Mas Fevers é outro papo (muito rico, por sinal), e quero falar da Suzi. Ela é um dos grandes exemplos do girl power no Rock, e pra mim está ao lado de gente como Debbie Harry, Madonna, Chrissie Hynde, Carole King e Françoise Hardy, só pra citar as mais quentes. Além de ser bonita, Suzi era baixista e uma roqueira de primeira categoria. Seus covers para clássicos como All Shook Up, I Wanna Be Your Man, Heart Of Stone e A Shot Of Rythm And Blues são nada menos que memoráveis, trazendo uma interpretação com muita personalidade.

Seu grande estouro no Reino Unido (e Austrália, onde, dizem, superou os Beatles em vendas) se deu por conta dos singles “Can The Can”, “48 Crash”, “Daytona Demon” e “Devil Gate Drive”, todos lançados no período de 1973 e 1974. Curiosamente, Suzi nunca teve lá grandes glórias em sua terra natal, os Estados Unidos, embora tenha tocado como baixista nos discos de muita gente decente, inclusive acompanhando Alice Cooper em turnês.

A partir da segunda metade da década, com a queda de popularidade do Glam Rock, estilo ao qual era associada, Suzi Quatro viu seu sucesso diminuir, mas continuou popular na mídia como celebridade e trabalhando como atriz, dubladora e radialista. Suzi continua compondo e ainda desenvolve uma série de projetos relativos à música. Vale a pena garimpar por sua discografia, pois os discos originais foram todos lançados em CD e são facilmente encontrados em formato de arquivo digital pela rede.


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

EMI aposta no fetiche









A EMI tem um catálogo foda. Talvez o mais foda da música pop. Distribuídos por sua diversa lista de selos, a "Greatest Music Organization In The World" conta com os melhores discos dos Rolling Stones, os clássicos do Pink Floyd, Radiohead, Kraftwerk, Blondie, Queen, Beach Boys, Frank Sinatra, Talking Heads, Pet Shop Boys, David Bowie. A lista de coisa boa é imensa, e fora isso ainda tem a obra completa dos Beatles.





Com um manjar desses nas mãos, e em época de mp3 e cópias de CDs praticamente instantâneas, um dos selos mais clássicos da gravadora preparou uma série de resgastes de discos importantes, todos em novas edições em LP. "From The Capitol Vaults" é uma coisa linda. Vinil de 180 gramas, reprodução exata do material gráfico, qualidade de som pra ninguém botar defeito. É fetiche total. Eu mesmo queria ter todos, mas o dólar do jeito que tá acaba com a festa da rapaziada.





O primeiro lote de LPs vem com o seguinte:

A Perfect Circle / Mer de Noms
The Beach Boys / Pet Sounds
Radiohead / Pablo Honey
Radiohead / The Bends
Radiohead / OK Computer
Radiohead / Kid A
Radiohead / Hail To The Thief
Radiohead / Amnesiac
R.E.M. / Document
Steve Miller Band / Greatest Hits 1974-78
Jimi Hendrix’s Band Of Gypsys
John Lennon / Imagine

E muito em breve:

Plastic Ono Band - Live Peace In Toronto, 1969

Ringo Starr - Ringo

Ringo Starr - Sentimental Journey

Megadeth - So Far, So Good...So What

Roxy Music - Stranded

Roxy Music - Country Life

The Specials - The Specials

O site oficial é aqui.

Top Of The Pops Rebroadcasts

Recentemente foi exibida na BBC uma série de reprises do clássico Top Of The Pops. Os pirateiros de plantão produziram uma coleção de DVDs com todos os episódios. Se você, meu amigo, curte música pop dos anos 70, vai tremer na base. Abaixo alguns petiscos:







As portas da enrolação



Eu acho curiosa a política dos remanescentes do Doors no que se refere à exploração do acervo da banda e, principalmente, da imagem do falecido vocalista Jim Morrison. Enquanto eu vejo muita gente injustamente criticando os Beatles pelos seus lançamentos recentes, digo, precisamente de 1994 pra cá, poucos falam do legado discográfico da banda de Light My Fire.

Primeiramente é importante que eu frise que não sou contra lançamentos póstumos, coletâneas, dicos ao vivo, remasterizações e etc. Pelo contrário, acho isso muito saudável para os fãs, para o mercado fonográfico e para as pessoas que valorizam o produto disco (sim, elas existem), e não um amontoado de arquivos digitais com compressão de som, socados em pastas de IPods e HDs pelo mundo.

Mas voltando ao Doors, eu fico espantado com a quantidade absurda de coletâneas da banda, lançadas e/ou renovadas de 1973 pra cá. Temos dezenas de "The Best Of The Doors", "The Very Best of The Doors" e "The Doors Greatest Hits", todas com praticamente as mesmas faixas e utilizando variações da clássica imagem de Jim Morrison sem camisa.





Eu fico imaginando a frustração dos fãs quando, há cerca de uns 10 anos, eles soltaram um belo boxset de rarities da banda, uma caixona preta com 4 CDs. O problema era que enquanto três discos vinham com demos, outtakes e gravações ao vivo, o quarto CD era exatamente... MAIS UMA COLETÂNEA!! Ah, justificam alguns, "mas são as faixas favoritas dos remanescentes". Balela pura.

Bem, tô falando isso porque toda a discografia dos Doors acaba de ser relançada em novas edições (Alô, Apple, abre o olho!). Os CDs estão muito caprichados, com centenas de faixas bonus, mas trazem um problema que, pra mim, é um pecado gravíssimo: remixaram tudo. Tudo mesmo. As músicas foram remontadas e acrescidas de elementos que não podiam ser ouvidos no original. Ou seja, o que você vai ouvir hoje não é o mesmo material produzido, gravado e mixado durante a existência da banda. Posso estar sendo conservador, mas pra mim isso é mexer na história. O ideal, na minha visão, seria apenas remasterizar, dar um upgrade sonoro nas fitas originais, e fim de papo. Juro que se fizerem isso com os discos dos Beatles... (quero nem pensar)

Não duvido que com esses novos CDs nas lojas os antigos sejam retirados de catálogo, deixando o público apenas com a opção de adquirir os discos remexidos. Terrível. Tão terrível quanto o que George Lucas fez com Star Wars e suas mil versões "melhoradas". Mas conhecendo o mercado, daqui há uns 10 anos, se é que ele ainda vai existir, virão novas edições com as "fitas originais disponíveis pela última vez".

Ah, quase me esqueço. Pra celebrar esse relançamento da discografia completa, e pra atrair aquele consumidor que não quer todos os discos, junto com esse pacote chegou às lojas... MAIS UMA COLETÂNEA DOS DOORS! E essa traz o áudio também remixado. Então corra, é a primeira compilação da banda com elementos novos no som.




P.S. - Antes que alguém jogue pedra, sim, eu gosto dos Doors.





















terça-feira, 21 de outubro de 2008

Beatles e os Simpsons

Uma coisa que eu sempre quis fazer, desde que comecei a mexer com autoração de DVDs, era reunir em um único volume os três episódios dos Simpsons que tiveram as participações de Ringo, Paul e George. Além disso, uma série de referências aos Beatles podem ser vistas em vários outros episódios da série, e dariam uma parte de extras legal.

Cheguei até a bolar um esqueleto para este DVD, motivado pelo pedido de um colega da lista Beatles Brasil que demonstrou interesse em adquirir o produto acabado. O rapaz, inclusive, deve até hoje estar muito puto pela falta de notícias sobre este assunto.

Mas não é que ontem eu tava fazendo meu garimpo habitual pelos torrents da vida e acabei encontrando o bicho prontinho da silva? Alguma alma caridosa teve a atenção de preparar um simpático disquinho (4.7 GB) com os três episódios em questão, e mais uma série de extras bacanas.

Para os interessados, o torrent está no link a seguir. É no Demonoid que, eu soube, anda com restrições para acessos dos Brasil. De qualquer forma não custa tentar, pois eu baixei sem problemas.

Confira aqui

Abaixo a capinha:

terça-feira, 20 de maio de 2008

The Beatles - Real Love (First Edition)

Na época do lançamento de Real Love, segunda faixa inédita dos Beatles presente no projeto Anthology, foi preparado um video promocional para a divulgação do single. Este video foi utilizado como encerramento da série de TV, inclusive em sua exibição no Brasil. Entretanto, após notarem que Yoko Ono aparecia demais no clipe, uma segunda edição foi preparada, de modo que as esposas dos outros Beatles ganhassem igual destaque no video. Sendo assim, a versão original foi "eliminada", ficando disponível apenas a reedição, que é a utilizada até hoje na TV e que foi inserida nos bônus dos DVDs de Beatles Anthology.

A versão que você vê aqui é a rara edição ORIGINAL, sem as imagens de Olivia Harrison, Linda McCartney e Barbara Bach.